2.5. Outros Modelos
O presente capítulo tem como objeivo apresentar, brevemente, outras abordagens que tratam questões referentes a gestão de pessoas. As metodologias listadas neste capítulo, servirão de apoio teórico para fundamentar o modelo d
e capacitação ágil, no gerenciamento, motivação e desenvolvimento da força de trabalho.
As abordagens descritas neste capitulo foram selecionadas segundo critérios definidos, pela relevância de seu conteúdo no tema deste trabalho. Os critérios empregados na seleção foram:
· Foco o desenvolvimento das pessoas;
· Conteúdo relevante que pudesse apoiar o modelo proposto neste trabalho.
2.5.1 Balanced Scorecard Pessoal
O BSCP (Balanced scorecard pessoal) é parte integrante
do processo proposto por Rampersad em seu livro: “Total Performance Scorecard: Redefining Management to Achieve Performance with Integrity”, e seu principal objetivo é fazer com que o indivíduo consiga um alinhamento entre o trabalho e sua vida pessoal, para tanto, o BSCP estimula a busca do autoconhecimento e autodescoberta.
Segundo (RAMPESARD, 2006), o BSCP pode
ser definido segundo seus elementos formadores, a través da seguinte fórmula:
BSCP = missão + visão + papéis-chaves + fatores críticos de sucesso + objetivos + indicadores de desempenho + metas + iniciativas de melhorias pessoais.
O relacionamento entre os elementos que formam um BSCP pode ser observado na figura 1. Segundo o autor, os elementos do BSCP atuam em quatro perspectivas: interna; externa; de aprendizado e conhecimento; financeira, que devem ser trabalhadas de forma igualitária, para que a satisfação pessoal do indivíduo possa ser alcançada. A seguir explicaremos cada elemento separadamente, conforme (RAMPESARD, 2006) define em seu livro.
Figura 1: Estrutura do BSCP.
· Missão pessoal: Abrange a filosofia de vida e seus objetivos totais do indivíduo. Segundo o autor:
“... é a razão de sua presença aqui na Terra, seu propósito de vida e quais são suas aspirações mais profundas”. (RAMPESARD, 2006) pág. 38.
· Visão pessoal: Modo pelo qual o indivíduo pretende executar sua missão de vida, isto é, a visão pessoal descreve aonde o indivíduo quer chegar e quais os valores e princípios que o orientam;
· Fatores críticos de sucesso pessoal: Estão relacionados diretamente as quatro perspectivas, isto é, um BSCP completo deve ter no mínimo quatro FCS (fatores críticos de sucesso) uma para cada perspectiva. O FCS é definido através das competências centrais pessoais do indivíduo, que o tornam único, e que são fundamentais para o sucesso pessoal do mesmo;
· Objetivos pessoais: são formados a partir do desdobramento dos FCS definidos anteriormente, que determinam os pontos fracos e fortes do indivíduo. Cada FCS pode ter um ou mais objetivos pessoais, que servem como marco referencial a serem alcançados;
· Indicadores e metas de desempenho pessoais: são ferramentas que serão utilizadas para medir o progresso dos objetivos pessoais do indivíduo, isto é, serão mensurações do desempenho pessoal em relação aos FCS e seus objetivos pessoais.
· Iniciativas de melhoria pessoal: são estratégias utilizadas para conseguir viabilizar a ambição pessoal (missão + visão) do indivíduo. Este componente está intimamente ligado ao “como” conseguir realizar seus objetivos pessoais.
2.5.1 Mentoring
Segundo (BOHLANDER, 2005), a maioria dos indivíduos, quando falam sobre suas experiências de emprego, menciona pessoas que foram importantes no desenvolvimento de suas carreiras, ou que de certa forma influenciaram a forma como seu trabalho era realizado. Tais pessoas, na área de TD&E, são chamadas de Mentores.
Vejamos a definição dada por (AURÉLIO, 1986), para a palavra mentor:
“... pessoa que guia, ensina ou aconselha outra; guia, mestre, conselheiro.”
(AURÉLIO, 1986) Pág. 1120.
Segundo tal definição, podemos inferir que Mentoring pode ser entendido como o processo pelo qual um funcionário é orientado, treinado ou aconselhado, visando o desenvolvimento de suas competências.
(BOHLANDER, 2005), explica que o processo de Mentoring normalmente é informal e acontece no dia a dia das empresas, sem a percepção dos envolvidos, contudo, ainda segundo o autor, existem empresas proativas que desenvolvem um programa específico de Mentoring, voltado para os funcionários que demonstram possibilidades de ascensão na organização.
O autor citado acima, também desmitifica alguns aspectos sobre mentores, que podem ajudar os funcionários, a entenderem e maximizarem os efeitos benéficos oferecidos por um bom processo de Mentoring. Os dez principais mitos sobre mentores são listados abaixo:
1. Os mentores existem apenas para o desenvolvimento de carreiras;
2. Você precisa de um único mentor;
3. A orientação é um processo de via única;
4. Um mentor precisa ser mais velho que o orientando;
5. Um mentor precisa ter as mesmas características do orientando;
6. Os relacionamentos com um mentor acontecem por acaso;
7. Os melhores mentores são pessoas com elevada reputação;
8. Uma vez mentor sempre mentor;
9. Dar orientações é um processo complicado;
10. As experiências do mentor-orientando são as mesmas para todos.
O autor também cita alguns comportamentos inerentes a bons mentores, dentre os principais podemos destacar:
· Ouvem e entendem;
· Desafiam e estimulam a aprendizagem;
· Treinam;
· Constroem a autoconfiança;
· Fornecem bons conselhos;
· Ensinam pelo exemplo;
· Agem como modelo de profissionais;
· Compartilham experiências;
· Oferecem inventivos.
2.5.2 Coaching
Segundo (ARAÚJO, 1999), Coaching é o processo de atuar como Coach[1] de outra pessoa, isto é, assumir um papel de compromisso e apoio para que a pessoa consiga atingir determinado resultado. Ainda segundo a autora:
“... Coaching não significa comprometer-se apenas com os resultados, mas com a pessoa como um todo, com sua realização e o seu desenvolvimento.”
(ARAÚJO, 1999) Pág. 26.
A autora ainda estabelece alguns motivos pelos quais devemos “gastar” tempo com o processo de Coaching, como por exemplo: favorece o autodesenvolvimento; possibilita um treino refinado de liderança; e cria uma estrutura de cooperação nas organizações. Conforme explica a autora, o diagnóstico de quando um funcionário precisa de Coaching normalmente é difícil, contudo, algumas situações podem indicar a necessidade de Coaching, dentre as principais podemos destacar duas: fases de transição na vida e formação de Trainees[2].
Normalmente o processo de Coaching acontece em quatro etapas, segundo os conceitos defendidos por (ARAÚJO, 1999):
1. Construção de uma parceria forte: A relação entre o Coach e o cliente deve ser baseada na confiança mútua, visto que ambos irão compartilhar momentos de sucesso e fracasso. O cumprimento de todas as responsabilidades assumidas, deve ser um objetivo em comum e a realização de feedback uma prática freqüente;
2. Montagem de uma visão de futuro: esta fase tem como objetivo traçar um objetivo a ser perseguido pelo cliente com a ajuda do Coach, em resumo, é a meta ou resultado a ser atingido pela parceria estabelecida entre os dois;
3. Inventário das competências atuais: para que os objetivos traçados pelo cliente possam ser atingidos, é importante que ambos façam um inventário de suas principais competências e limitações, para que os talentos individuais possam ser utilizados de maneira integrada em prol do resultado a ser alcançado;
4. Elaboração de um plano de ação: nesta fase o Coach deve ajudar a identificar as lacunas, entre as competências atuais e as competências desejadas do cliente, para que juntos possam alcançar os objetivos definidos, através de um plano de ação conjunto.
[1] Coach, do inglês, cujo significado é treinador.
[2] Trainees, do inglês, cujo significado é aprendizes.
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